quarta-feira, 21 de abril de 2010

A dor como caminho
Se pôs, a menina,
em seu silêncio interior.

E, a partir desse dia,
pôde ouvir o pulsar de sua vida.

Quando, já maior,
se viu solitária

de tão no meio do mundo,

foi a vida quem a ouviu,
em lamúrias de amor e dor.
E, quando a Floresta a convidou
para o pulsar de suas seivas...

Seu corpo foi se iluminando.
Em conexão com o todo, criou asas.

E o Mundo elementar se fez à sua frente.
Havia voado em direção às alturas.

E toda dor foi curada.
Sua alma elevada.

sábado, 10 de abril de 2010

Isso


Isso é mais uma daquelas coisas inomináveis
Mas que, por tanto querer, por tanto o Amar
Insistimos em chamar...
Isso é Mãe.

Hoje
É por "Isso"
que completo mais um outono...

É dela que veio
e é para ela que vão
todas as minhas luzes.
Meus ser, meus fazer, meus pedir, meus orar.
10 de Abril!
Vida...

sábado, 3 de abril de 2010

Moska

Há dias em que só nos resta citar:

“Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor, chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado, mas é exatamente o oposto. Para mim, que o amor se manifesta, a virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado, o amor está em movimento eterno, em velocidade infinita, o amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido. A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com inicio, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço, e é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto”.

(((Paulinho Moska)))
Cheiro de vida molhada

quinta-feira, 1 de abril de 2010

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Algo desconhecido se aproxima
Envolto a sombras silenciosas

O Tempo é que garante o mistério de Ser

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A ausência do Grande Outro
Me lembra da minha ausência em mim

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A Lua.
Toda ela!

E que perfume
o dos verdes daqui

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A Lua.
Toda ela!

E que perfume
o dos verdes daqui